Tudo começou na UFMA, em 2014 havia uma página no Facebook que estava bastante popular entre os discentes, chamada Segredos UFMA, que postava acontecimentos e vídeos sobre a vida dos universitários, e um vídeo despertou a minha atenção, no qual um discente do curso de Engenharia Química, chamado Genésio Rosado fazia uma apresentação de Stand Up Comedy na recepção de calouros do mesmo curso, nesse época, em São Luís o Stand Up Comedy ainda era uma novidade, comentei na postagem como sugestão ao discente que ele já podia reservar pauta no TAN para uma produção do seu show, na época não obtive resposta. Entretanto, um tempo depois iniciamos uma amizade através das redes sociais e entre conversas sobre comédia, teatro e produção planejamos o Espetáculo Natalino com Piadas Salgadas de alcunha I Festival de Stand Up Comedy da UFMA para que não fossem censurados por justificação dos trocadilhos com o nome então Reitor da UFMA, que na época era Natalino Salgado e como aproximava-se do natal, o nome escolhido encaixava-se a temática da época.
I FESTIVAL DE STAND UP COMEDY SLZ
O 1 º Festival de Stand Up Comedy aconteceu no dia 24 de novembro de 2014 às 12:30 no Auditório setorial do CCH/UFMA, nesse primeiro evento convidamos alunos da Universidade Federal do Maranhão que tinham o desejo de apresentar piadas autorais para participar, o primeiro elenco era formado por: alunos de Engenharia Química Genésio Rosado, Prost Mohammed, Dennys Correia, o aluno de Odontologia Caio Alves, o aluno de Filosofia Zanto Holanda, o aluno de Teatro Licenciatura Vilson Higgs. Além deles, como comediantes a abertura e encerramento foi realizada pelo cantor e na época também aluno de Engenharia Química Ari Souza. Na produção estavam os alunos de Teatro Licenciatura: Rayssa Carvalho, Viviane Rocha, Priscila Cardoso e Elton Pacheco. O evento atendeu um público de 300 pessoas, algo inédito na UFMA e em São Luís.
Link de evento criado na época no Facebook: Clique aqui
“A Produção Teatral a gente aprende é fazendo” foi a frase
que incentivou o interesse por esta pesquisa após uma conversa informal com a
professora Tissiana Carvalhedona disciplina Práticas de
Produções de Espetáculos 2014.2, porém antes de preludiar esse capítulo, é
necessário expor como a Produção Teatral virou o campo de pesquisa, trabalho e
vida da discente que agora vos disserta, pois foi a partir da minha trajetória
acadêmica na Universidade Federal do Maranhão que adquiri minhas primeiras
experiências no campo da Produção no qual me fez percorrer um caminho que
culminou na minha formação técnica em Produção Cultural no Instituto de
Ciências, Tecnologias e Educação do Maranhão - IEMA em 2017 e na questão que
norteia toda esta pesquisa – De que forma as companhias de teatro produzem seus
espetáculos em São Luís?
Em meados de 2009, vivi minha primeira experiência como
plateia, era apenas uma adolescente encerrando o ensino médio, e fã dos atores
que jogavam improviso teatral no programa Quinta Categoria da MTV, quando fiquei sabendo da
vinda do grupo para várias sessões no Teatro Arthur Azevedo, com a produção de
Moraes Jr Produções, que é Produtor Cultural de Espetáculos teatrais em São
Luís, fui assisti-los, era a primeira vez que eu conhecia o Teatro Arthur
Azevedo, e um espetáculo com jogos de improviso.
Guardo na memória a ansiedade que tive ao esperar na fila, o
encantamento ao conhecer o teatro, de estar feliz em ver os atores em cena, ao
encerrar o espetáculo tirei fotos, e quando cheguei em casa, contei à todos a
experiência que vivi, afirmando que todas as pessoas deveriam passar por isso pois era
extremamente prazeroso. A partir daí, passei a frequentar cada vez mais o
teatro, e a participar de montagens teatrais e vídeos na escola.
Passou-se alguns anos e em 2011.2 ingressei no curso de
licenciatura em Teatro e quando cursava o segundo período do curso no semestre
2012.2, concorri a uma vaga de estágio não-obrigatório no Teatro Alcione
Nazareth e obtive aprovação. No primeiro dia do estágio, Hélida Santana, a
Diretora do teatro na época, comentou que para trabalhar na Administração do
Teatro, os funcionários devem gostar dos bastidores.
O estágio no Teatro Alcione Nazareth durou quase dois anos
(11/2012 a 10/2014), no primeiro ano do estágio, o conhecimento que adquiri era
empírico, ou quando alguém mais experiente me ensinava, foi assim que percebei
o quão importante eram as funções administrativas para o funcionamento do
teatro principalmente na relação entre a administração do teatro, secretaria de
cultura e produtores e fazedores de teatro contribuindo para o fomento da
atividade teatral na Cidade.
Por diversas vezes comparei os modos de produção realizados
na UFMA com os modos de produção que aconteciam no Teatro Alcione Nazareth, e
com a pouca experiência da época observei que o objetivo de ambos eram
distintos, as produções dentro da universidade possuíam a finalidade avaliativa
e/ou experimental, enquanto que as produções de fora da academia tinham o
intuito de ser um bem ou prestar serviço.
A minha função como estagiária no Teatro Alcione Nazaré; era
auxiliar-administrativa, onde executava atividades burocráticas como por
exemplo: digitar contratos para a reserva de pautas, organizar e reservar as
pautas, digitar ofícios para solicitação de demandas, acessar, responder
e-mails, atender telefonemas, organizar os contratos de acordo com o mês,
digitar e assinar recibos. No dia em que havia espetáculo, os estagiários
cuidavam da recepção, da contagem de ingressos e do bordereau. E se caso tivesse interesse, envolvia-se com a parte
técnica porém o financeiro ficava por responsabilidade do Diretor do Teatro.
A experiência de estagiar no teatro me concedeu a
oportunidade de assistir vários espetáculos, o contato direto com essas
produções, fizeram-me perceber que tanto o teatro amador quanto o teatro
profissional, haviam produtores e/ou atores realizando as funções de planejar,
organizar e executar o espetáculo. Porém depois de todo esse trabalho,
deparar-me com a plateia vazia ou pela metade era algo que desconcertante
porque eu acompanhava indiretamente o processo, e a medida que os meses
passavam, adquiria mais entendimento sobre de que forma as produções
funcionavam, sentia necessidade de fazer algo pois a falta de público
aconteciam com as produções locais e com as produções de fora do estado, fossem
elas produzidas de forma independentes ou subsidiadas com leis de incentivo
e/ou editais.
Contudo, uma espetáculo local destacou-se nessa época, era a
comédia “Pão com Ovo”, que por onde passava lotava teatro, alguns colegas do
curso de teatro comentavam que o espetáculo era maravilhoso e sucesso de
público. Eles estiveram no Teatro Arthur Azevedo, quando então reservaram
várias pautas no Teatro Alcione Nazareth para um mês em cartaz, sempre as
sextas, sábado e domingo com 3 sessões cada dia, contabilizando no final do mês
36 sessões de casa cheia e altamente lucrativa. Na época, ao contabilizar esses
dados, fiquei atônita. Como é que um espetáculo com produção realizada pelos
próprios atores de forma independente conseguia tamanho sucesso apesar das
dificuldades locais e além disso, cativar público e ser auto rentável?
Desde então, passei a acompanhar o processo do espetáculo
Pão com Ovo, como estudante de teatro que iniciava suas primeiras investigações
sobre o fazer Produção Teatral na perspectiva do mercado cultural.
A data de encerramento do meu estágio no Teatro Alcione
Nazareth aconteceu em setembro de 2014, nessa mesma época ficaram disponíveis
duas vagas de estágio não-obrigatório no Sesc/MA, uma das instituições que tem
grande participação no fomento do teatro na cidade, concorri a uma dessas vagas
e após o processo seletivo que incluíam analise de histórico acadêmico e
entrevista, logrei aprovação, abdicando-me das últimas férias no Teatro Alcione
Nazareth pois o primeiro dia do meu estágio no Sesc/MA aconteceu no início dia
das férias.
O estágio no Sesc/MA
era parcialmente diferente do meu estágio no Teatro Alcione Nazareth, mas foram
complementares para minha jornada na produção. Em ambos, as atividades de
auxiliar administrativo coincidiam no entanto, as atividade de auxílio a
produção eram diferente porque no Teatro Alcione Nazaré, eu apenas observava a
produção no momento em que ela acontecia, acompanhava a chegava, a divisão de
equipes; um grupo montando o plano de luz e som, enquanto o outros iam pra
bilheteria ou se preparar para a cena e assim por diante. Já no Sesc encontrei
outras esferas de produção, e passei a ser executora sob a supervisão do
técnico de cultura, assim eu realizava várias ações entre elas: reservava as
pautas, contatava grupos, participava ativamente da elaboração dos
planejamentos, de todas as etapas de produção de projetos, espetáculos,
mostras, oficinas, festivais e etc.
Descobri com isso, a existência de diversas camadas nos
espetáculos, e que para todos os tipos de atividade artística e cultural
elabora-se um planejamento ou projeto escrito para nortear o trabalho de toda a
equipe de produção, dá pra produção mais simples à mais complexa, é necessário
o planejamento.
Ainda no meu primeiro ano de estágio no Sesc, que assim como
no Teatro Alcione Nazaré durou dois anos (08/2014 à 12/2015), as experiências
me encorajaram a aventurar na Produção Teatral, visando-o como um campo de
pesquisa, estudo e quem sabe como um meio de trabalho para meu sustento
financeiro.
Enquanto isso, na UFMA havia uma página no Facebook que
estava bastante popular entre os discentes, chamada Segredos UFMA, que postava
acontecimentos e vídeos sobre a vida dos universitários, e um vídeo despertou a
minha atenção, no qual um discente do curso de Engenharia Química, chamado
Genésio Rosado* fazia uma apresentação de Stand
Up Comedy* na recepção de calouros do mesmo curso, nesse época, em São Luís
o Stand Up Comedy ainda era uma
novidade, comentei na postagem como sugestão ao discente que ele já podia
reservar pauta no TAN para uma produção do seu show, na época não obtive resposta.
Entretanto, um tempo depois iniciamos uma amizade através
das redes sociais e entre conversas sobre comédia, teatro e produção planejamos
o Espetáculo Natalino com Piadas Salgadas de alcunha I Festival de Stand Up
Comedy da UFMA para que não fossemos censurados por justificação dos
trocadilhos com o nome do então Reitor da UFMA, que na época era Natalino
Salgado* e como
aproximava-se do natal, o nome escolhido encaixava-se a temática da época.
I Festival
de Stand Up Comedy na UFMA
Fonte: Arquivo Pessoal
Minha primeira experimentação como produtora aconteceu na
UFMA, pela primeira vez eu não estava sob a supervisão técnica, talvez por isso
o fiz de forma intuitiva e sem projeto escrito, no entanto, com base nas
experiências que vive em ambos estágios fui direcionando minhas práticas, meu
objetivo era produzir um evento na para a comunidade acadêmica da UFMA, e
diante desse objetivo, fui realizando as ações necessárias para que ele
acontecesse, como por exemplo: reservei o auditório setorial do Centro de
Ciências Humanas da UFMA para o dia 25 de novembro de 2014, às 12:30, escolhi
esse horário pensando no horário que os alunos
almoçam na no Restaurante
Universitário, quem tivesse interesse em assistir, teve de 11 horas até 12 pra
almoçar e encaminhar-se para o CCH.
Depois de reservar auditório e definir datas, selecionei os
alunos da UFMA que tinham interesse em apresentar Stand Up Comedy, e além
disso, confeccionei os ingressos, produzi os designers gráficos dos
espetáculos, contatei as principais páginas de Facebook na UFMA, pra divulgar e
sortear ingressos, coloquei todos os alunos que iam apresentar para vender os
ingressos à R$ 5,00 (cinco reais), conversei com os responsáveis pelas lanchonetes
próximas ao CCH para serem pontos de vendas e divulgação, passamos várias
semanas divulgando o evento no Restaurante Universitário da UFMA, com os
seguinte recursos materiais: Data show e caixa de som do Centro Acadêmico de
Engenharia Química.
No dia da realização do evento, haviam 300 pessoas em um
auditório com capacidade para 330 pessoas, avaliei esse resultado de forma
positiva. A apresentação teve seus altos e baixos, alguns rapazes foram muito
bem e outros muito mal, no entanto, o público sabia que ali haviam pessoas
apresentando um texto de Stand Up Comedy pela primeira vez. Ao término da
apresentação, contabilizamos a bilheteria, foi 30% para a produção, 20% para
Genésio Rosado e 50 % dividido entre os alunos que apresentaram. E dias após a
realização, recebi mensagens de alunos perguntando quando teria o próximo
evento, isso me motivou a produzir mais.
Sinto a necessidade de destacar que desde as primeiras
experimentações na UFMA sempre tive assistência dos amigos de turma, mais
próximos pois sozinha eu jamais teria conseguido tamanho progresso. No semestre seguinte 2014.2 iniciou o meu quarto período e
com ele a disciplina Práticas de Produção de Espetáculos, na época ministrada
pela professora substituta Tissiana Carvalhedo, que ensinou a turma sobre o
conceitos relativos à cultura, economia criativa, bens culturais e mercado
cultural, posterior à esse momento, organizou a turma em grupos e nos ensinou a
identificar demandas e anseios pessoais para a concepção de um projeto cultural
possuindo como guia o edital Amazônia Legal.
Meu grupo era composto por três pessoas, eu e as alunas
Priscila Cardoso e Carolina Simões, juntas planejamos o projeto “Humor de
Segunda*” que tinha como objetivo oferecer ao público maranhense apresentações
de Comédia Stand Up com artistas
locais todas as segunda-feira em algum teatro na cidade de São Luís, o
espetáculo visava também a valorização da acessibilidade aos portadores de
mobilidade reduzida e necessidade especiais – auditiva e visuais.
Após os projetos prontos e apresentados, a professora iniciou uma votação para
que a turma escolhesse qual projeto seria executado como avaliação final de
turma, em votação o projeto “Humor de Segunda” (Apêndice 2) foi selecionado
para ser produzido. E na finalização do semestre, a professora organizou a turma
em grupos de trabalho, onde cada grupo ficava responsável por alguma demanda da
produção do projeto, por exemplo: GT de divulgação, GT de acessibilidade, GT de
Apoio, GT de registro.
Desse modo, o Projeto realizou-se no dia 12 de janeiro de
2015 às 12:30, no auditório setorial do CCH (Centro de Ciências Humanas), o
projeto teve êxito em vários aspectos no planejamento, na colaboração na
execução das atividades, e sobretudo na participação da turma, não havia
hierarquia, tudo aconteceu de maneira colaborativa. No entanto, o nosso
público-alvo que era os universitários da UFMA, os alunos da ESCEMA* e os
alunos da CAS* estavam todos de férias e diante desse imprevisto, o público
contemplado pelo projeto foi abaixo do esperado. No entanto, a finalidade do
projeto era avaliativo, onde prevalecia o envolvimento da turma, logo
conclui-se que o processo foi satisfatório.
Nesse mesmo ano, produzi mais dois eventos na UFMA,
intitulados “CoffeeBreak”, assim
consegui fechar o primeiro contrato para três apresentações deste mesmo
espetáculo no Pátio Norte Shopping*, houve então um aumento considerável de
procura, e eu fui imergindo nesse mundo da produção, transformando-o no meu
trabalho.
No início de 2016, firmei parceria com o comediante Genésio Rosado e iniciamos
um projeto de fomento a comédia Stand Up em São Luís, ele que havia retornado
pra São Luís, após participação no Prêmio Multishow de Humor* no Rio de
Janeiro, queria descobrir e incentivar pessoas com aptidão para o Stand Up Comedy, assim como eu queria
experienciar a produção fora do contexto acadêmico e tentar a inserção no
mercado artístico de São Luís, sendo assim, produzi meu primeiro evento fora da
Universidade, intitulado “Genésio Rosado convida” onde o objetivo era convidar
um comediante de outro Estado para apresentar com ele, e também com pessoas que
quisessem experimentar o palco pela primeira vez, em seguida, produzi o “1º
Torneio de Stand Up Comedy de São
Luis”, “Noite de Open Mic”, “Ultimate Fight Comedy”, 2ª Torneio, 3ª
Torneio, 4ª torneio e atualmente já vamos para 5 º Torneio de Stand Up Comedy de Slz. Essas produções eram
autossustentáveis, toda a arrecadação vinha da bilheteria, não tínhamos
patrocínio mas tínhamos parcerias na divulgação, os instagrans Sensacionalista Slz, Ludovicenciando e Ilha da Depressão
que juntos contabilizam mais de 1 milhão de alcance, investíamos dinheiro nosso
para iniciarmos a produção, mas esse dinheiro retornava da bilheteria que era
dividido da seguinte forma: 20% produção, 30% próxima produção e 50% era
dividido entre os artistas, Genésio Rosado e quem ele convidasse para
apresentar.
Ainda em 2016, o Governo do Estado do Maranhão com o então Governador Flávio
Dino ofertaram o curso técnico de Produtor Cultural no Instituto de Educação,
Ciência e Tecnologia do Maranhão*, e através de seletivo que utilizava a nota
do Enem como critério de aprovação, concorri e obtive aprovação na primeira
chamada. Nesse curso, pude imergir na teoria que fundamenta a cadeia produtiva
da cultura e das artes em geral, estudei sobre as políticas culturais, os
planos nacionais, estaduais e municipais da cultura, os tipos de produções
culturais e eventos culturais, a Industria Cultural, as formas de subvenção
(independente, leis de incentivo, editais, apoios e patrocínios), aprendi mais
sobre o Maranhão e suas potencialidades Artísticas, Turísticas e Culturais
através de pesquisas de campo, bibliográficas que foram realizadas em São Luís.
Ao término do curso, foi solicitado que a turma realizasse a
Produção de um evento cultural para receber a certificação de conclusão do
curso, a minha turma escolheu produzir o 1º Seminário de Produção Cultural de
São Luís, cada parte do projeto foi escrita por uma equipe de trabalho, e o
projeto realizou-se nos dias 10 e 11 de agosto com programação composta de
mesas interativas, oficinas, feiras de negócios, exibição de filmes,
exposições, festa temática, atrações artísticas e culturais.
Contudo vale ressaltar, que toda a captação de recursos do
evento foi feita de forma colaborativa e sem subvenção estatal, todos os
recursos foram captados através de auxílio financeiro ofertado por cada aluno,
permutas com os feirantes da Casa das Tulhas* e comerciantes da região da Praia
Grande. Por fim, foi entregue à coordenação do curso de Produção Cultural o
projeto escrito e o relatório de atividades e, no ano de 2017 formou-se em São
Luís, a primeira turma de Produção Cultural de São Luís, eu obtive minha
certificação de Técnica em Produção Cultural.
Refletindo sobre minha jornada no curso de licenciatura em
teatro, observei que a partir dessas experiências, o caminho a ser trilhado
desde a criação de uma proposta cênica até sua eficaz realização, demandam uma
série de ações que são interpretadas como complexas e burocráticas,
principalmente para os grupos de teatro em início de formação quanto para os
alunos recém-formados.
Diante disso, o campo da Produção Teatral entrou nos meus
projetos e pelas referências bibliográficas sobre o assunto em São Luís. Diante
disso se faz necessário contextualizar a história do teatro em São Luís, afim
de compreender como o Teatro se desenvolveu ao longo da história, logo o
seguinte subcapítulo é um recorte da história das Práticas Teatrais realizadas
em São Luís/MA.
Final de Semestre chegando e os nervos estão a flor da pele... Stanis, Meyer, Tchékhov, Artaud e desculpas se esqueci algum...
E agora Eugênio Barba, em sala a professora apresentou a biografia dele, e todo seu bagageiro teatral, o cara foi longe, Teatro Oriental e estudou a antropologia teatral, tínhamos lido alguns capítulos de Antropologia Teatral Eugênio Barba e o capitulo Energia, a professora dividiu tópicos do texto, e dividiu em duplas da cena final.
Escolhemos o "Equilíbrio Precário" - Que no meu ponto de vista a partir da leitura do capitulo Introdução - Antropologia Teatral 0 O equilíbrio em ação pg.10
Tem como objetivo alcançar a qualidade no fazer cênico, adquirindo presença cênica a partir do desiquilíbrio, ou seja equilíbrio precário, divergindo técnicas cotidianas de extre- cotidiana, Barba faz um estudo em cima do teatro Oriental, onde o ator é bailarino, ator/bailarino em busca de adquirir um alto grau de presença cênica.
Uns falaram de energia, facilmente identificável e que na tradições orientais seu funcionamento depende de várias expressões, pensamentos sobre danças das oposiçõe, a virtude da omissão e o incoerente coerente.
Em um segundo momento, a professora iniciou com um exercício tetral, usando como objetos o palito de dente, cama elástica, toalha e bambu, apartir de então cri ariamos partituras de movimentos pensando na cena final
A professora desenhou bolas no chão, em uma pontinhos que significavam que ali tínhamos que inspirar
as sem nada dentro significava sem ar nos pulmões, as bolas com tracinho significava expirar e a bola com desenho em círculos significava reter o ar nos pulmões...
Orientações dadas, demos inicio aos alongamentos, andar no espaço e começamos a experimentar formas e alterações no modo de respirar, no começo tínhamos que somente modificar a respiração, achei bem tranquilo porque não gosto de trabalhar minha respiração, como nada aconteceu comecei a alterar o ritmo, e sai de uma balão para o outro, brincava, brincava comecei a gerar sensações, expirava e inspirava cansada, com raiva, feliz, segurava o ar até que tudo começou a escurecer ao meu redor, como já sabia o que estava acontecendo pois em exercícios que exigem da minha respiração, me causam sempre essa mal estar, me deitei no chão coloquei as pernas para cima e esperei o mal estar passar, e fiquei pensando sempre que inspiro e expiro rapidamente fico tonta, pretendo encontrar outra maneira de conseguir tal proeza sem passar mal, e a partir de então passei a analisar meus amigos em exercício.
A professora deu novas orientações, além de alterar a respiração podíamos proferir algumas palavras, e o teatro de bolso, virou um feira, um circo, sei lá, pois o povo começo a se divertir com o exercício, neste momento eu só observava, pois ainda não me sentia bem, mas era engraçado como eles brincavam com as nuances e juntos das palavras ditas, e passaram a se comunicarem.
Notei como a respiração é um fator importantíssimo na construção de uma personagem, pois até a respiração torna-se característica de alguém e podem dizer alguma coisa.
Cheguei na sala todos já estavam alongando, coloquei as roupas próprias para os exercícios e entrei na roda, todos devidamente alongados, a professora deu as primeiras orientações:
Ela colocaria várias músicas para tocar, o objetivo era criar uma partitura de movimentos instintivamente.
Por experiência própria, reconheço que tenho dificuldade para me concentrar, e exercícios que tem como objetivo criar movimentos que surgem de estímulos exige muita concentração, então de olhos fechados, fui tomando consciência do meu eu interior, e aquela preocupação em ser observado, e em observar o que o outro esta fazendo, desaparece, pois o foco do exercício e de todo estudo é o nosso corpo.
A música tocava, e o primeiro impulso que surgia eu reproduzia e repetia até que surgisse outro impulso, e assim seguiu-se uma sequência de músicas, e impulsos, a música é um ótimo estimulador e ao mesmo tempo uma dificuldade pra quem dança pois havia momentos em que eu me pegava pensando em coreografias, e objetivo não era esse!
Criei um partitura com mais de 12 reações físicas.
1- Corpo parado, levanta a mão como se fosse pegar algo a cima e a frente da sua cabeça e trás para baixo formando um meio círculo.( sobe o braço, pega algo em cima e desce braço no formato da curva do semi circulo), repete até o braço cansar de faz um circulo inteiro.
2 - Joga uma bolinha imaginária por trás da cabeça levantando o braço direito formando um semi circulo atras, desce o braço por onde ele subiu e fingi que pega o que jogou.
3 - Curva a coluna, flexiona os joelhos e anda lentamente, os braços fazem movimentos como se estivesse cavando algo com a mão.
4 - Encolhida no chão, mecha-se como se fosse um cobra saindo do ovo.
5 - andar em câmera lenta e pisando em ovos.
6- estica e inclina o corpo pra direita, volta ao normal, encolhe, flexiona os joelhos vira para o lado oposto e repete o inicio.
7- Fecha braços, abre braços e os levanta para o céu, as pernas acompanham o movimento.
8- andar cm uma mão na cintura, e com a outra mão fingir esta dando corda em algum brinquedo.
entre outras... que certamente contribuíram para a cena final.
Segundo Momento...Exercício de Exaustão
Iniciou-se andando, porém batendo o calcanhar na bunda, e Fernanda orientou que corrêssemos, batendo o calcanhar na bunda.
Correr levantado a perna pra frente,
Correr em raias, e Fernanda ia atribuindo porcentagens, que faziam referências a quanto de energia deveríamos correr, eu sou sedentária, e não sei controlar minha respiração, e no momento que estávamos correndo em raia eu pedi pra sair!.
Quem continuo correndo, correu em círculos, agachados, pulando alto, caminhada acelerada e sempre alterando a energia que deveria ser usada, em 10%, 30%, 50% e 100%.
Bom, o exercício deveria ter durado mais, no entanto a resistência física da minha turma esta baixíssima a professora deu continuidade e sentada de onde eu estava observava suas orientações, ela pediu para quem continuo até o fim do exercício que trabalhassem a partir de impulso, e o primeiro foi impulsos sobre perda, e mesmo não participando atuante no exercício ainda me encontrava exausta,mas de onde eu estava um impulso veio, e meus olhos encheram de lágrimas, vontade de chorar foi forte, porém eu me controlei.
A exaustão é bem interessante pois ao fim do esforço físico, o corpo começa a criar substâncias como a serotonina que nos fazem ter maior capacidade de respostas para estímulos, o corpo passa por uma lavagem ou seja limpeza de todas dores cotidianas que atrofiam o corpo, a mente por conta de movimentos repetitivos, a exaustão acorda o corpo! depois de apago-lo (rsrsrsr)... Quero um dia poder fazer um exercício de exaustão em que eu possua uma resistência maior, pois o meu corpo parou mas a minha mente pedia pra continuar... Fim de aula.
Na aula hoje assistimos um documentário, de Ariane Mnouchkine, contando a história do
Théâtre du Soleil, toda uma vida pela arte!
A professora Fernanda, pediu que fizéssemos apontamentos a partir do documentário, citando semelhanças e diferenças entre o teatro de Ariane e Grotowski.
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Semelhança: Renuncia do palco italiano, e o espaço cênico não é o tradicional proporcionando infinitas variações na relação ator-espectador, o projeto de ambos rompia barreiras continentais adequando-se a cultura local.O teatro Oriental esta presente em ambos e o contato com o espectador.
Diferenças: O teatro da Ariane, é rico em elementos cênicos como suporte do personagem( maquiagem, iluminação, figurino, músicas e etc). Há o refinamento dos signos, e nada é natural. e o teatro de Grotowski propõe o corpo como único argumento cênico, evita o ecletismo, resiste a idéia de disciplina, entre outras.
Seguiu-se um debate, onde cada um citava as divergências e semelhanças que encontravam entre Ariane e Grotowski, vocês podem encontrar nesse outros blogs o ponto de vista de cada um, em relação as comparações feitas durante a aula.
Eu tive que fazer o relatório, pois não pude participar da aula prática.
A professora deu as orientações, pediu que eles andassem no espaço e que seus movimentos agora iam partir da coluna, todos os movimentos iriam começar da coluna, e não permanecer na coluna.
Em seguida colocou uma música, e que esta consequentemente iria servir como estimulo para os movimentos.
Comecei a observar um por um, quando a professora disse que os movimentos partia da coluna, muitos mantiveram a coluna ereta, e andavam como se algo os estivessem puxando, ou como se a coluna sustentassem todo o corpo, outros começaram o movimento de um outro membro menos da coluna.
E a música influenciando o ritmo do corpo deles, porém o principal objetivo do exercício era fazer com que as reações físicas fossem resultados de impulsos que partiam de dentro ou seja iniciavam de dentro, o movimento seria a conclusão desse processo e não o inicio.
E o que eu vi, foram movimentos pensados, eles deixavam isso nítido no rosto deles, consequentemente não alcançaram o objetivo, e pra quem não gostou do meu ponto de vista faço das palavras de Grotowski as minhas:
"No início era um teatro. Logo um laboratório. E agora é um lugar onde espero poder ser fiel a mim mesmo. É um lugar onde espero que cada um dos meus companheiros possa ser fiel a si mesmo. É um lugar onde o ato, o testemunho dado por um ser humano será concreto e carnal. Onde não se faz ginástica artística, trucos. Onde se tem ganas de ser descoberto, revelado, desnudado; verdadeiro de corpo e de sangue, com toda naturalidade humana, com tudo isso que vocês podem chamar como queiram: espírito, alma, psique, memória, etc. Porém sempre de forma palpável, também digo: carnalmente, pois de forma palpável. É o encontro, o sair ao encontro do outro, o baixar as armas, a abolição do medo de uns frente aos outros, em toda ocasião." (Colômbia, 1970).